'>

Blog do Pr. Adriano Trajano.

Um espaço Democrático e Popular sempre.

Carregando...

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A TEOLOGIA DA PÁSCOA

A priori, não se comemora páscoa sem celebração e sacrifício. Festa e sacrifício estão inextricavelmente ligados. Para isso, o nome páscoa na Bíblia não simplesmente “passagem” ou apenas mais um nome qualquer nas páginas das Escrituras, mas realidade do ser com suas representações, carregada de aspectos práticos, comunitários, culturais, político-sociais e religiosos.
            Páscoa do ponto de vista bíblico representa em sua essência e fato, o que o povo é e representa, ou melhor, povo de pé no chão, mais especificamente rural, da roça mesmo.
            Quando imaginamos algo em constante movimento, salto, caminhada, travessia, agitação, passar, correr, gritar, celebrar, juntar-se, rir e esbanjar alegria; estamos falando de páscoa, páscoa é tudo isso e mais um pouco de correria mesmo.
            Suposições podem ser feitas com relação às origens da páscoa, mas o importante é examinar vários textos do Antigo Testamento e poder apenas extrair algumas indicações, tais como: festa puramente familiar ou do clã; festa rural ou nômade; sacrifício de uma cabra ou ovelha bem jovem; celebração noturna, debaixo de uma linda lua cheia, entre o final da primavera e início do verão; muita carne assada na brasa; vinho; pães ázimos; ervas amargas do deserto; muita música e dança.
            Todo o ritual pascal representava um grande banquete familiar, carregado de várias simbologias religiosas. A celebração simbolizava de postura ética à proteção divina para as famílias e os rebanhos.
            De acordo com o Antigo Testamento, a proteção divina era contra os ataques dos saqueadores, destruidores, agressores ou toda sorte de peste, malefício, desgraça ou acidentes que poderiam sobrevir às famílias ou rebanhos.
            Para isso, as comunidades rurais celebravam o ritual com o intuito de marchar em frente, sandálias nos pés para caminhar pelas estradas desérticas, vestes firmes bem atadas.
            Obviamente que o povo foi deixando a vida nômade, dando inicio ao processo chamado de sendentarização, ou seja, fixação nas terras agrícolas.  Nas localidades periféricas da terra de Israel, outras festas agrícolas como a dos ázimos, semanas e colheita, foram assumindo um lugar de destaque na cultura israelita.
            Após a chegada a Canaã (terra prometida) e o citado processo de fixação agrícola, a cerimônia já não mais correspondia com tanta ênfase às condições de vida atuais daquele povo. Explico-lhes melhor, com a chegada desses dois fenômenos, as comunidades procuraram “re-significar” e “reler” o ritual.
            Daí em diante a cerimônia pascal passaria a representar memória da ação divina, salvação, libertação, nova vida, povo hebreu eleito e vitorioso. Assim, houve novas adaptações e releituras da antiga cerimônia e não rompimento da mesma.
            Quero apenas enumerar, com base na Bíblia Sagrada, alguns ensinamentos trazidos por esta festa: primeiro, convocação do povo; segundo, preparação do povo; terceiro, afugentar o medo que assola; quarto, anúncio da presença salvadora de Deus;
quinto, palavra profética; sexto, presença, libertação e salvação de Deus e sétimo, cumprimento da vontade divina.
            Desse modo, o Deus de Israel prescreveu a cerimônia da Páscoa para todo o povo. Tratava-se de uma cerimônia familiar, ligada à natureza, à força sobrenatural, aos gestos históricos de um povo, à vida e a um futuro promissor.
            Após os acontecimentos da saída do Egito, das caminhadas pelos desertos e chegada a “terra que mana leite e mel”; a festa foi reformulada pelo povo, passando agora a representar liberdade que Deus dá.
            Não se pode separar a festa da páscoa do contexto histórico-cultural, sociopolítico, econômico e religioso do povo hebreu presente nas páginas do Antigo Testamento. Quanto ao Novo Testamento, torna-se impossível distanciar o evento pascal do Cristo salvador e libertador.
            A fé no Deus de Israel tornou-se uma alavanca fundamental e impulsionadora da caminhada do povo em terras estranhas. A fé pascal tornou-se uma força transformadora, cuja poderemos descrever do seguinte modo:
a)    – coragem pra vencer;
b)    – atuação de Deus;
c)    – liberdade;
d)    – memória histórica e
e)    – salto para o futuro.
Vale lembrar que a páscoa pré-mosaica em seus primórdios tem seu nascedouro nos rituais pagãos, agora crivada na fé no Deus de Israel, convertida às práticas e confissões de Javé todo poderoso e, conseqüentemente, à tradição cristã.
Vale lembrar ainda que esse período pré-mosaico incluía sacrifícios de animais e primogênitos recém nascidos, mas isso é assunto para outra reflexão.
Vale ressaltar que a cerimônia da páscoa não é uma cerimônia nostálgica, de exaltação de heróis e heroínas, romanceada e restrita a um povo ou cultura.
Cremos que a páscoa representa a memória dos grandes atos salvificos de Deus, aquilo que Ele é, faz e fará na história da humanidade. A páscoa representa redenção do povo, presença viva e atuante de Deus, resgate da vida e testemunho da sua bondade.  
            Que tenhamos todos e todas uma abençoada páscoa, caminhando adiante com Jesus e cheios de alegria de viver a vida com liberdade.
Adriano Trajano
Pastor  Batista  e Professor
P.S.: Recomendo-lhes a leitura do artigo do Professor, Tércio Machado Siqueira. Nosso suporte teórico. Leitura, disponível em: http://www.metodista.br/fateo/materiais-de-apoio/estudos-biblicos/um-estudo-sobre-a-origem-da-pascoa. Acesso em 20 de Março de 2012.
P.S.: Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.